sexta-feira, 13 de julho de 2012
"(soou crítica quando, no fundo, o que queria dele era que enxergasse que estava tão surtada que nem sabia mais o que dizia; que seu desepero em cruzar o domínio da amizade era tanto que precisava criar desculpas a si mesma para se zangar com ele; que tivesse paciência e a abraçasse como antes, apesar das ofensas, só para que sentisse que nem ela mesma conseguiria evitar que tudo ficasse bem. Absteve-se, todavia, de considerar os receios dele em vê-los separados, o mesmo que o levava a combater sua superfície de descaso para desvendar por vocábulos o que poderia ter visto facilmente através da leitura dos olhos: que tudo não passava de um amontoado de pretextos para fugir do temor que tinha em amá-lo demais. E se o músico lhe revirou a lógica em busca da verdade, não obstante, era evidente que fracassara nesse ímpeto desbravador. Afinal, só se pode traçar uma linha sensata ou dedutiva de pensamento àqueles que se baseiam em um mínimo de racionalidade sequer; esquecera-se, no calor do embate, que o racional sempre fora ele enquanto ela representava justamente a sensibilidade contraposta e necessária a se equilibrar. É uma pena que as emoções nem sempre sejam coerentes, pois já ficava difícil demais ter qualquer comprovação empírica do pouco que assimilava daquela ausência quase total de sentido. No entanto, ao mesmo tempo em que se percebe o quão essencial era que Dan usasse seu lado sensitivo, é igualmente gritante que Naty urgia em racionalizar sensações. O problema era que, enquanto permanecessem de todo entregues à teimosia ou ao desejo de se provar o certo da situação, nenhum dos dois esboçaria a menor propensão a ceder o mínimo que fosse justo à natureza que melhor caracterizava o outro; essa era a única certeza ali)"
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